Chegar ao atendimento é só uma parte do caminho. Para avançar na prevenção do suicídio na Bahia, o desafio também passa por conseguir diagnóstico, encontrar o tratamento adequado e, principalmente, manter o acompanhamento depois de uma situação de crise. (Foto ilustração)
Em 2024, a Bahia registrou 914 casos de suicídio, segundo a atualização mais recente da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), divulgada em setembro de 2025.
O número representa uma redução de 1,4% em relação a 2023. A taxa também recuou, de 6,6 para 6,2 casos a cada 100 mil habitantes. Apesar da queda de um ano para o outro, a série histórica apresentada pela SEI mostra crescimento dos registros nas últimas décadas, mais acentuado a partir de 2019.
Os dados são elaborados pela SEI a partir de microdados da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) e da Secretaria da Segurança Pública (SSP-BA).
Para a dra. Sandra Peu, psiquiatra e representante designada da Associação Psiquiátrica da Bahia (APB) para o Setembro Amarelo 2026, uma das principais fragilidades está justamente no acesso ao atendimento especializado.
“A desassistência é um motivo que contribui muito para este número. O número de psiquiatras disponíveis para diagnosticar e tratar pacientes em ambulatórios especializados é muito pequeno frente à demanda”, afirma.
Não há, porém, uma causa única para o suicídio. O fenômeno é complexo e envolve diferentes fatores. Sofrimento psíquico, transtornos mentais, condições sociais e uso problemático de álcool e outras drogas, por exemplo, não devem ser apresentados isoladamente como explicação para um caso.
Na prevenção, o foco está em reconhecer situações de risco, facilitar o acesso à assistência e evitar que o cuidado seja interrompido
Entre a urgência e o tratamento, o desafio é manter o cuidado
A Bahia contava com 270 Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) habilitados pelo Ministério da Saúde, segundo levantamento divulgado pela SEI em setembro de 2025.
Os CAPS fazem parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), que reúne serviços de diferentes níveis de atenção, da assistência básica ao atendimento especializado, de urgência e hospitalar.
Na avaliação de Sandra Peu, porém, a estrutura disponível ainda encontra dificuldades para responder à demanda.
A psiquiatra cita problemas nos ambulatórios especializados, nos CAPS e também nos casos que chegam às unidades de urgência.
“Na Bahia, hospitais gerais não costumam contar com especialista para atendimento do risco de suicídio e nem sempre temos médicos não-psiquiatras capacitados ao atendimento do risco iminente”, afirma.
Pelas diretrizes divulgadas pela própria Sesab, o cuidado em situações de urgência relacionadas à saúde mental deve envolver diferentes pontos da rede, como Samu 192, UPAs, portas hospitalares e prontos-socorros. Na atenção hospitalar, a orientação institucional é que o atendimento esteja articulado aos demais serviços da rede e aos CAPS.
É justamente na passagem de um ponto da rede para outro que Sandra identifica um dos gargalos.
A reportagem procurou a Sesab para saber se há demanda reprimida por atendimento em saúde mental na Bahia e obter informações sobre a disponibilidade de psiquiatras e leitos de saúde mental em hospitais gerais, o tempo de encaminhamento após urgências psiquiátricas e as medidas adotadas para ampliar a capacidade da rede e garantir a continuidade do cuidado. Até a conclusão desta reportagem, a secretaria não havia enviado resposta. (Por: Susy Moreno/comsaude)

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