A quantidade de calor acumulado pela Terra atingiu um nível recorde em 2025, com possíveis consequências por centenas — e até milhares — de anos, alertou nesta segunda-feira, 23, a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência ligada à ONU. (Foto ilustração)
“O clima global está em situação de emergência. Estamos levando o planeta a ultrapassar seus limites. Todos os principais indicadores climáticos superaram o nível de alerta”, afirmou o secretário-geral da ONU, António Guterres, durante a divulgação do relatório anual sobre o estado do clima.
Pela primeira vez, o documento inclui entre os principais indicadores o chamado desequilíbrio energético da Terra, que mede a diferença entre a energia que entra e a que sai do sistema do planeta.
Em condições estáveis, esses fluxos tendem a se equilibrar. No entanto, o aumento das concentrações de gases de efeito estufa — como dióxido de carbono (CO₂), metano e óxido nitroso — tem rompido esse balanço, impulsionando o aquecimento contínuo da atmosfera e dos oceanos, além do derretimento de geleiras.
Segundo a OMM, o desequilíbrio vem se intensificando desde o início das medições, em 1960, especialmente nas últimas duas décadas, até alcançar um novo recorde em 2025.
“A atividade humana está alterando cada vez mais o equilíbrio natural, e sofreremos as consequências por centenas e milhares de anos”, afirmou a secretária-geral da OMM, Celeste Saulo.
O relatório também confirma que o período entre 2015 e 2025 reúne os 11 anos mais quentes já registrados. O ano passado aparece entre o segundo e o terceiro mais quente da série histórica, com temperatura cerca de 1,43°C acima da média do período pré-industrial (1850-1900).
Já 2024, influenciado por um forte episódio de El Niño, segue como o ano mais quente já observado. (Estadão)

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