A maioria dos moradores de favelas da cidade do Rio de Janeiro apoiam a megaoperação policial realizada esta semana nas favelas da Penha e do Alemão, de acordo com uma pesquisa da AtlasIntel. Segundo a pesquisa, o número é de 88%. (Foto ilustração)
O levantamento AtlasIntel mostra ainda que, no Brasil como um todo, o apoio à operação conduzida pelas polícias Civil e Militar do Rio é de 55,2% – outros 42,3% desaprovam a ação.
A pesquisa foi conduzida entre os dias 29 e 30 de outubro, em meio à forte repercussão nacional da megaoperação, que mobilizou mais de 1,5 mil agentes de segurança.
A ação tinha por objetivo prender o traficante Edgar Alves de Andrade, o Doca, considerado o principal nome do Comando Vermelho no Alemão. No entanto, ele segue foragido.
A incursão policial resultou na apreensão de 93 fuzis e na morte de 121 pessoas, incluindo quatro policiais. O governador Cláudio Castro (PL) afirmou que o objetivo era desmantelar o controle territorial das facções que dominam as duas regiões. Entidades de direitos humanos e a Defensoria Pública do Estado do Rio criticaram o número de vítimas.
O estudo foi divulgado nesta quinta-feira (31) pelo CEO da AtlasIntel, Andrei Roman, em uma série de publicações no X (antigo Twitter).
Os dados indicam que a percepção sobre a ação policial varia conforme a região e o perfil socioeconômico dos entrevistados. Entre moradores de favelas em todo o país, 81% aprovam a operação. No recorte específico das favelas da cidade do Rio, o índice de apoio sobe para 88%.
O dado contraria o senso comum de que as comunidades afetadas por grandes operações tendem a rejeitar as ações do Estado. Para Roman, o resultado reflete “um sentimento predominante de abandono anterior e uma demanda reprimida por presença efetiva das forças de segurança nessas áreas”.
Entre os cariocas em geral, o apoio à megaoperação chega a 62%, também acima da média nacional. A pesquisa mostra que, embora ações de grande escala sejam frequentemente criticadas por organizações civis, há respaldo expressivo da população, inclusive nas regiões mais atingidas.
Outro ponto medido pela AtlasIntel diz respeito à percepção sobre o nível de violência empregado. Para 53% dos brasileiros, o grau de força utilizado foi “adequado”. No Rio, o percentual sobe para 62%.
Apenas uma minoria avaliou que houve “excesso” no uso da força. “Os dados sugerem que a maioria da população compreende a operação dentro de um contexto de combate ao crime organizado, e não como uma ação desproporcional”, escreveu Roman.
A operação, que teve a participação das polícias Civil e Militar, deixou pelo menos 30 mortos, segundo dados de órgãos de imprensa. Entre os mortos estão suspeitos, mas também moradores que não tinham relação com o tráfico, segundo relatos de familiares. (Andreza Matais/Metrópoles)

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