Doze coletivos de magistradas de todo o país enviaram flores e uma carta ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quarta-feira (16/9), em apoio e solidariedade à ministra Cármen Lúcia (foto ilustração).
O movimento ocorre após a manifestação da ministra durante a sessão realizada nesta terça-feira (15). Na ocasião, a magistrada se disse “envergonhada”, “triste” e “consternada” com a crise enfrentada pelo Supremo, que analisava uma possível abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.
Nas redes sociais, o coletivo Candangas TJDF, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, afirmou que o gesto foi uma forma de demonstrar reconhecimento à trajetória, à sensibilidade e à atuação da ministra no Judiciário. “Em momentos de consternação, a sororidade também se faz presente: ninguém precisa atravessar sozinho momentos difíceis”, escreveu.
Entre os 12 coletivos, além do Candangas TJDF, também confirmaram nas redes sociais a participação no envio de flores o Antígona TJPR, o Sankofa TJSP TRF3, o Teia TRT15 e o Cotovia TJRN.
Durante sua fala na sessão, a ministra também se dirigiu ao povo brasileiro e pediu desculpas: “Talvez tenham esperado de mim uma postura diferente, de tentar resolver, e as coisas não foram resolvidas e cresceram demais”.
Em resposta, na carta, as magistradas defenderam que a ministra diferencie os sentimentos de culpa e responsabilidade, sem transformar “em culpa pessoal a tristeza de quem ainda se importa profundamente”.
“Há uma diferença imensa entre sentir responsabilidade e transformar esse sentimento em culpa. Talvez nós, mulheres, conheçamos particularmente bem esse lugar: o de, diante de uma ruptura que não produzimos sozinhas, procurarmos primeiro, dentro de nós, aquilo que poderíamos ter feito diferente”, escreveram.
Ao prestarem solidariedade, as magistradas dizem que as flores representam o apoio de diversas mulheres que também atuam no Judiciário e “conhecem, cada uma à sua maneira, o peso de decidir” em espaços que foram ocupados, ao longo da história, majoritariamente por homens.
Para elas, o discurso da ministra na sessão não representou uma confissão de culpa, mas de “humanidade”. “Clarice (Lispector) precisou imaginar que alguém lhe dava a mão para conseguir atravessar a experiência que narrava. A senhora, ministra, não precisa imaginar. Estamos aqui. Por trás de cada uma destas flores existe uma mulher estendendo a mão”, escreveram. (Por Luíza Altoé)


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