A alta de 0,88% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em março, acima das expectativas do mercado, acendeu um alerta. A inflação voltou a mostrar força justamente nos componentes mais sensíveis e mais persistentes. (Foto ilustração)
Na leitura dos especialistas, três vetores principais explicam a surpresa altista: combustíveis, alimentos e serviços.
O choque mais evidente veio do grupo de transportes, impulsionado pela disparada dos combustíveis em meio às tensões no Oriente Médio. Gasolina e óleo diesel registraram altas expressivas no mês e, sozinhos, tiveram contribuição relevante para o índice cheio. Em março, a alta foi de 4,47% e 13,90%, respectivamente.
Para Marcela Kawauti, economista da Lifetime, esse movimento já reflete o impacto das commodities no cenário doméstico. “Sem a pressão de gasolina e diesel, o IPCA teria sido significativamente menor”, destaca.
A leitura é compartilhada por diferentes casas. O Banco Daycoval também aponta os combustíveis como um dos principais responsáveis pela inflação mais forte, destacando que os preços administrados reagiram diretamente ao cenário externo.
Não foi só a energia que pesou
O grupo de alimentação voltou ao centro das preocupações, com uma alta disseminada e acima do esperado, especialmente nos itens in natura. Produtos como tomate, cebola e leite lideraram os aumentos, refletindo tanto fatores climáticos quanto pressões na cadeia de oferta.
Segundo o economista do ASA, Leonardo Costa, essa surpresa em alimentação no domicílio foi um dos principais fatores por trás do desvio em relação às projeções. Além disso, começa a surgir um efeito indireto do encarecimento dos combustíveis: o aumento do custo de transporte já impacta os preços dos alimentos.
Outro ponto que chamou atenção foi a resiliência dos serviços que é um componente mais ligado à demanda e, portanto, mais difícil de ceder.
Itens como alimentação fora do domicílio, transporte por aplicativo e até serviços ligados ao lazer vieram mais fortes do que o esperado, indicando que a inflação subjacente segue pressionada. A média dos núcleos também surpreendeu para cima, reforçando essa percepção. (Por Juliana Caveiro)

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