Um documento elaborado pelas centrais sindicais da Bahia com apoio do Dieese, a partir de plenárias de trabalhadoras e trabalhadores de todo o estado, foi entregue na noite de ontem (18/8) aos candidatos ao Senado Rui Costa e Jaques Wagner, ao candidato a deputado federal Deyvid Bacelar e a alguns candidatos e candidatas que disputam uma vaga na Assembleia Legislativa da Bahia, a exemplo de Radiovaldo Costa e Vilma Reis. A ideia das centrais sindicais é construir comitês políticos e sindicais em toda a Bahia para assegurar direitos trabalhistas historicamente conquistados pela classe trabalhadora, lutando contra a precarização, pejotização e uberização do trabalho. O documento cobra também o compromisso dos candidatos na luta contra as privatizações, defendendo a Bahiagás e a Embasa, e a imediata reestatização da Refinaria Landulpho Alves (RLAM), hoje Acelem (essa refinaria, segunda maior do Brasil, foi vendida para o grupo Mubadala, dos Emirados Árabes, durante o governo Bolsonaro).
Bastante ovacionado no encontro, Deyvid Bacelar parabenizou a força das centrais sindicais. “Tenho certeza de que assim como ocorreu com o presidente Lula na Vila Euclides, deve passar um filme na cabeça de Wagner e de Rui porque foi aqui no Sindiquímica-BA que a história começou”, lembrou Bacelar. Ele destacou que sua formação política foi iniciada também no Sindiquímica-BA em 2008. “Foi a partir daqui que nós vimos a transformação que o PT fez na Bahia nos últimos anos, em todos os setores”, opinou.
Depois de ter comandado a Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP) nos últimos cinco anos, além de ter sido membro de dois conselhos importantes do governo Lula (o Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável – CDESS, e o Conselho de Participação Social – CPS), Bacelar conseguiu viabilizar programas como o Gás do Povo, que possibilita o acesso ao gás de cozinha para 15 milhões de famílias brasileiras. E trouxe para a Bahia uma série de cursos profissionalizantes, a exemplo do Autonomia e Renda, programa da Petrobras voltado para a qualificação de jovens, através de parcerias com instituições como Senai-Cimatec, Sesi, federações de indústrias, entre outras.
Ele fez questão de destacar que o Estado brasileiro precisa investir no setor químico e petroquímico, representados pela Bahiagás e pela Brasken. “A recompra da Refinaria Landulpho Alves é fundamental não somente por causa do preço dos combustíveis, mas para termos desenvolvimento econômico, social e sustentável, com o fortalecimento do Polo Petroquímico de Camaçari, que só será fortalecido se a refinaria estiver nas mãos do Estado”, frisou.
Para Bacelar, é preciso que a população perceba a importância de se ampliar a bancada de trabalhadores e trabalhadoras no Congresso Nacional. “Temos apenas sete sindicalistas dentro de uma Câmara federal que tem 513 parlamentares. Mais de 400 representam a bancada do boi, da bala e da bíblia mas não representam a classe trabalhadora”, afirmou.
Bacelar cobrou da direção do Partido dos Trabalhadores a criação de um comitê sindical e dos movimentos populares e sociais nessa campanha, envolvendo vários sindicalistas e figuras representativas de comunidades, igrejas e terreiros.
Além de Jaques Wagner e de Rui Costa, saíram também do Sindiquímica-BA lideranças históricas, como Luiz Alberto, Moema Gramaxo, Bassuma e Rosemberg Pinto. O diretor do Sindiquímica e anfitrião do evento Alfredo Santana foi assertivo e fez cobranças as senadores. “Wagner nos deu a honra de ter derrotado ACM ainda em vida em 2006 e de lá pra cá conduziu um projeto vitorioso nas urnas. Mas não podemos deixar de trazer as pautas do movimento sindical”, defendeu. “O fim da escala 6×1, por exemplo, é uma pauta que está nas ruas, mas é possível fazer nos municípios baianos o que fez a prefeita de Juiz de Fora: mesmo não tendo ainda passado no Senado, a escala já poderia ter sido abolida nos contratos terceirizados do estado”. Criticando o processo de privatização da Bahiagás e da Embasa, Santana disse também que qualquer transferência de patrimônio público para a iniciativa privada será tratada como privatização pelo movimento sindical.
Candidato a deputado estadual pelo PT, o petroleiro Radiovaldo Costa lembrou que a presença de sindicalistas na política foi muito maior no passado. “Já elegemos 24 sindicalistas, mas hoje só temos sete. Cometemos erros que dificultam a ampliação dessa representação, mas temos de mostrar a força do movimento sindical este ano”, afirmou. “Infelizmente, dentro de nosso partido, há aqueles que não acreditam que o movimento sindical é importante para garantir a reeleição de Lula, de Rui e de Wagner. Temos uma tarefa nessa eleição que é mostrar que o movimento sindical é fundamental no processo político eleitoral”, enfatizou.
Dirigindo-se a Wagner e a Rui Costa, Radiovaldo disse que é preciso que a chapa majoritária também reconheça essa importância. “Não é possível que na coordenação majoritária da campanha não tenha uma representação efetiva do movimento sindical. É preciso discutir inclusive apoio a nossas candidaturas, porque hoje, infelizmente, quem tem valor e peso no processo político é o prefeito. Não é mais o sindicato”, ponderou.
O senador Jaques Wagner fez um discurso destacando a necessidade da desconstrução do chamado voto Lula-Neto, que vem sendo divulgado pela campanha do adversário de Jerônimo, ACM Neto. “Precisamos recuperar e apresentar na campanha o vídeo de ACM Neto dizendo que daria uma surra em Lula. Vamos botar o argumento embaixo do braço e aumentar as fileiras daqueles que vão votar em Lula e em Jerônimo. O mundo está olhando para as nossas eleições. Eles sabem que a vitória de Lula significa um pé na porta para que a extrema direita não domine o nosso Brasil e nossa América Latina”, resumiu Wagner.
Rui Costa destacou a importância do presidente Lula no cenário internacional. “Mesmo o Brasil não tendo armas atômicas, e só se respeitam hoje os países que têm armas nucleares, Lula é chamado para todos os países para falar de paz, harmonia e de respeito entre os povos. Não tem outro líder de um país desarmado que seja chamado para ser ouvido por todo o mundo”.


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