O mercado formal de trabalho para profissionais do jornalismo no Brasil perdeu quase um em cada cinco postos desde o auge da categoria, registrado em 2013. Dados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), elaborados com base na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) e no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), mostram que o país saiu de 60.899 vínculos formais naquele ano para 50.330 em 2025. A redução é de 10.569 postos de trabalho — uma queda de aproximadamente 17,4%. (Foto ilustração)
A série histórica indica que o crescimento do emprego formal no setor ocorreu até 2013, quando a categoria atingiu seu maior patamar. A partir daí, iniciou-se um processo contínuo de retração, interrompido apenas por pequenas oscilações em alguns períodos.
O levantamento do Dieese aponta que, embora tenha havido recuperação recente em relação a 2022 — com aumento de 3,9% no número de vínculos — o movimento ainda está distante de recompor as perdas acumuladas ao longo da última década. Desde 2015, a retração registrada foi de 12,5%.
Para a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), Samira de Castro, os números revelam mudanças profundas no mundo do trabalho e reforçam a necessidade de fortalecer a proteção à categoria.
“Esses dados mostram uma transformação importante do mercado de trabalho do jornalismo. Não estamos falando apenas de uma redução de postos formais, mas também de um processo de precarização das relações de trabalho, com crescimento de formas de contratação mais instáveis e perda de direitos”, afirma.
A dirigente destaca que os números do emprego formal não capturam toda a realidade vivida pela categoria, especialmente diante do aumento de profissionais contratados como pessoa jurídica, trabalhadores autônomos e outras modalidades sem carteira assinada. (Sinjorba/Fenaj)

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