O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ficou muito irritado com o “não” recebido da ex-prefeita de Contagem Marília Campos, que se recusa a concorrer ao governo de Minas Gerais e mantém sua pré-campanha por uma vaga ao Senado. Até agora, o PT não conseguiu encontrar um candidato para disputar o Palácio Tiradentes. (Foto ilustração: Marília Campos e Lula)
O impasse em Minas, segundo maior colégio eleitoral do País, virou até piada na reunião de ontem, 2, da Executiva Nacional petista, em Brasília. Entre os que criticavam Marília por ter “desafiado” Lula e aqueles que a defendiam, houve um momento de descontração quando um dirigente afirmou que, para encerrar o assunto, o PT deveria dizer simplesmente que o nome de seu candidato era “Próprio”.
Trata-se de uma ironia ao fato de o PT de Minas ter decidido que apresentaria um candidato próprio ao governo, sem conseguir até hoje encontrar um nome para levar adiante a missão de dar palanque a Lula no Estado.
A portas fechadas, os que atacavam Marília diziam que ela precisava levar em conta o projeto nacional do partido, e não tomar uma decisão “personalista”. Os que a defendiam lembravam que, antes, Lula queria a todo custo a candidatura do senador Rodrigo Pacheco (PSB) ao governo de Minas. Estava tudo acertado para Marília, que renunciou à prefeitura de Contagem, concorrer a uma cadeira do Senado. Mas Pacheco desistiu na última hora e deixou o PT na mão.
Marília avalia que é um erro lançar chapa própria para a sucessão do governador Mateus Simões (PSD). “A realidade política de Minas e os desafios de 2026 exigem capacidade de diálogo, construção de consensos e alianças amplas”, disse ela, na semana passada. “O caminho não é apresentar uma candidatura própria, mas liderar a construção de uma aliança ampla e competitiva, reunindo PT, PCdoB, PV, PSB, MDB, REDE, PSOL, PDT e outras forças que sustentam o governo federal”.
Há poucos dias, a ex-prefeita de Contagem também se encontrou com Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB ao Palácio Tiradentes, e o chamou de “governador”. A atitude contrariou ainda mais a bancada mineira do PT, uma vez que ele sempre foi adversário do partido em Minas.
Ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil, hoje no PDT, também foi procurado pelo presidente do PT, Edinho Silva. Mas o político que apoiou Lula em 2022 desta vez não quis saber de parceria com os petistas. “Kalil quer construir a candidatura dele ao governo, mas interdita composições e outras alianças”, argumentou Edinho. “Vamos nos encontrar, com certeza, no segundo turno”. (JBr)


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