O presidente nacional do PT, Edinho Silva, sugeriu enviar o fundo eleitoral das campanhas a deputado para os diretórios estaduais do partido decidirem como será dividida a verba. A sugestão causou forte reação na atual bancada da sigla, que prefere concentrar a partilha na direção nacional. (Foto ilustração)
A ideia foi lançada por Edinho numa reunião com a bancada de deputados federais há cerca de três semanas, segundo parlamentares da sigla, com o argumento de que os dirigentes estaduais teriam uma percepção melhor de quais são os candidatos com mais chances e que valeriam maior investimento.
Deputados reclamaram imediatamente, e o encontro foi encerrado sem resolução.
Deputados afirmaram, sob reserva, que há preocupação que esse modelo de distribuição de fundo eleitoral os prejudique. Eles dizem que nem todos os parlamentares são da mesma corrente dos dirigentes estaduais da legenda. Por isso, temem serem preteridos na partilha, com a destinação de valores maiores para adversários internos que sejam ligados à cúpula estadual.
O PT tem várias tendências internas. A majoritária é a CNB (Construindo um Novo Brasil), mais ao centro.
Há ainda correntes minoritárias, como a Mensagem ao Partido e a Articulação de Esquerda, que ficam mais a esquerda.
Mesmo dentro das mesmas correntes, há concorrências internas e disputas. Dessa forma, quem não tem o controle ou não é um aliado próximo dos dirigentes estaduais teme ficar sem fundo eleitoral se a partilha for definida a nível estadual. O presidente pode concentrar os recursos em alguém do seu próprio grupo.
Pelo desenho proposto por Edinho, o diretório nacional do PT decidiria o fundo eleitoral das campanhas do presidente da República, de governadores e senadores. Lula, que tentará a reeleição, deve receber algo em torno de R$ 120 milhões, podendo ser mais, caso o presidente não consiga um alto volume de doações privadas.
O investimento para governos e ao Senado deve ser feito a partir da prioridade nacional do partido e do desempenho dos pré-candidatos. A avaliação de Edinho é que a partilha de deputados federais seria feita com mais propriedade pelos diretórios estaduais, por estarem mais próximos das bases eleitorais. Com isso, teriam uma percepção melhor de quem tem mais chance e mereceria um investimento maior. (JBr)

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