Hostes governistas estão perplexas. O ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad atribui o empate técnico nas pesquisas entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) a “lavagem cerebral coletiva”. Já economistas ligados ao PT levantam todo tipo de hipótese, das redes sociais aos portais de compras internacionais, para explicar a insatisfação popular com a economia que eles mesmos consideram inexplicável.
Não creio que seja exatamente um esforço concentrado para melhorar a percepção acerca do governo – mesmo porque a arrogância implícita na avaliação provavelmente teria feito oposto. Todavia, refletem, acredito, uma crença comum: a “plebe rude e ignara” não tem condições de perceber por si só as extraordinárias qualidades da administração petista. É necessário que uma vanguarda popular explique para a população como ela deveria se sentir (extremamente grata, claro) e agir de acordo, isto é, votando pela reeleição do presidente.
Obviamente, a menos de seis meses das eleições, pesquisas querem dizer menos do que gostaríamos que dissessem, forma mais ou menos polida de alertar o leitor que não sei, nem tenho condições de saber, o resultado delas. Isso, porém, não me impede de notar o paradoxo, de resto para lá de visível: quando votam no meu partido, as pessoas são iluminadas; quando não, é necessário erguê-las do poço de ignorância em que se encontram. (Alexandre Schartsman)

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