O 1º de Maio sempre foi uma data especial na carreira política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT-Foto). Ele, que entrou na vida pública através do Sindicato de Metalúrgicos de São Bernardo do Campo e Diadema, sempre teve o trabalhismo como sua principal bandeira. Não à toa, ele e os outros fundadores escolhem o nome “Partido dos Trabalhadores” para a sigla fundada em 1980.
A data, portanto, sempre carregou um peso simbólico para o atual presidente: em 1979, foi em um 1º de Maio que ele fez um discurso considerado histórico pela esquerda brasileira, quando liderava uma greve de metalúrgicos e discursou para 150 mil pessoas em São Bernardo do Campo. No ano seguinte, ele não participou do ato porque havia sido preso pela ditadura militar.
Outros marcos no Dia do Trabalhador foram em 1986, quando em outro discurso muito lembrado se colocou como principal nome da oposição na época e em 2003, quando, em seu primeiro ano no Planalto, falou sobre esperança ao lado de padres e bispos, também no ABC Paulista. Em 2022, participou de evento na Praça Charles Miller, no Pacaembu, em São Paulo, onde criticou Bolsonaro e a Operação Lava Jato. Meses depois, foi eleito presidente do Brasil pela terceira.
A data, no entanto, não tem sido de muita sorte para o petista desde o retorno ao Planalto. Os discursos históricos deram lugar a ausências e até um momento constrangedor: em 2024, durante discurso no evento em comemoração do Dia do Trabalhador, organizado pelas centrais sindicais em São Paulo, Lula mostrou incômodo com a mobilização realizada para o ato. Segundo o presidente, a convocação para o evento, realizado no estacionamento do estádio do Corinthians, em Itaquera, não foi feita como deveria.
No palco, ao apresentar seus ministros, ele falou que tratou do assunto com Márcio Macedo, titular da Secretária-geral da Presidência. “Ele (Márcio Macedo) é responsável pelo movimento social brasileiro. Não pense que vai ficar assim. Vocês sabem que ontem eu conversei com ele sobre esse ato e eu disse para ele: ‘Oh Márcio, o ato está mal convocado. O ato está mal convocado. Nós não fizemos o esforço necessário para levar a quantidade de gente que era preciso levar’”, disse Lula.
Nos últimos dois anos, o presidente não foi a nenhum ato público. Em 2025, poucas semanas após a eclosão do escândalo do INSS, Lula se poupou. Neste ano, já havia a preocupação com acusações de campanha antecipada. As derrotas recentes no Congresso, somadas à estagnação nas pesquisas e a dificuldade de mobilização da esquerda no pós-pandemia, enterraram de vez qualquer chance de uma aparição pública de Lula. (Por Matheus Alleoni)

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