“Sempre falaram pelos povos indígenas. Agora, sabendo quem são os nossos candidatos, nós finalmente temos a chance de pôr os nossos representantes lá [em Brasília] e ‘aldear’ o Congresso [Nacional]”. A defesa do cacique Fabio Pataxó, de 47 anos, morador da terra indígena Coroa Vermelha, em Porto Seguro (BA), reflete uma realidade que se faz cada vez mais presente nas eleições no Brasil. (Foto ilustração)
Entre março de 2024 e março de 2026, o número de eleitores que se autodeclaram indígenas passou de 102.436 para 253.270, um aumento de 68%. No recorte por gênero, o eleitorado autodeclarado indígena é majoritariamente feminino: são 132.241 mulheres (52%) e 121.029 homens.
Esse salto sugere não apenas um maior engajamento eleitoral, mas também avanços na autodeclaração identitária e no acesso ao cadastro eleitoral, resultado de esforços institucionais por parte da Justiça Eleitoral e da maior mobilização das comunidades indígenas em prol do exercício dos direitos políticos.
Segundo Fabio Pataxó, a defesa dos povos indígenas passa pela preservação do meio ambiente, mas também pelo acesso à saúde, tecnologia e educação. “Nós somos os donos da terra. Onde tem um indígena tem meio ambiente”, diz. “Só nós sabemos das nossas necessidades, do que a gente precisa, e não devemos ser tratados como indígenas arcaicos que moram em uma tapera ou andam descalços”, afirma.
Por meio da Resolução nº 23.659/2021, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) introduziu campos específicos para identificação de etnia e língua no cadastro eleitoral. A medida permitiu um mapeamento mais preciso do eleitorado indígena, facilitando ações direcionadas. Para Amini Kuikuro, de 40 anos, a autodeclaração reforça a diversidade da população originária. “É importante pela representatividade étnica do meu povo”, ressalta.
Participação e representatividade
Esse movimento também se traduz em uma maior presença da população indígena nas disputas eleitorais. Entre 2018 e 2024, o número de candidaturas indígenas saltou de 133 para 2.656. Os picos mais expressivos, no entanto, ocorreram nos pleitos municipais, historicamente mais próximos da realidade local: foram 2.223 candidaturas em 2020 e 2.656 em 2024.
“Eles [candidatos indígenas] apoiam a nossa causa e reconhecem o que a gente passa”, defende a jovem Sipsedy Xakriabá, de 20 anos, da terra indígena Xakriabá, localizada no município de São João das Missões (MG). Em 2026, ela votará pela segunda vez. (Fonte: TSE)


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