José Leandro Alves é um adolescente de 14 anos com deficiência visual. Estudante do 9º ano da Escola Municipal Joir Brasileiro, ele contava com a ajuda da mãe para compreender as lições, enquanto ela se dividia entre as tarefas escolares do filho e os afazeres pessoais. (Foto ilustração)
No entanto, José Leandro passou a ter mais autonomia desde que começou a usar um equipamento de visão artificial com uma câmera inteligente que lê textos instantaneamente, reconhece rostos, produtos, cores e cédulas de dinheiro em tempo real, além de fornecer essas informações por voz. O dispositivo, o OrCam MyEye, é fixado nas hastes dos óculos.
“Veio em boa hora, porque antes, quando eu ainda não tinha o aparelho, minha mãe precisava ler as coisas para mim. Ela ficava lendo as atividades e, ao mesmo tempo, fazendo as coisas dela. Agora, não. Eu posso pegar meus óculos, colocá-los e, quando vou fazer uma prova, já consigo ler com eles, ler uma redação, sabendo que minha mãe está cuidando das suas coisas. Posso ler minhas atividades com segurança”, conta o estudante.
Tecnologia israelense – O equipamento que o adolescente usa é um dos 100 adquiridos este ano, pela Prefeitura de Salvador, e que estão sendo utilizados na rede municipal de ensino e pelo Instituto de Cegos da Bahia (ICB), por meio de um termo de cooperação técnica. O aparelho é discreto, medindo cerca de 7 cm de comprimento.
A tecnologia foi criada em Israel e utiliza inteligência artificial para o reconhecimento ótico, sem a necessidade de conexão com a internet. É possível ler qualquer tipo de material, desde grandes anúncios até bulas de remédio, e em português, inglês e espanhol.
José Leandro já sabia da existência da tecnologia, mas a possibilidade de adquiri-la parecia distante, já que o aparelho tem um preço médio de R$ 15 mil, valor que a família não poderia arcar. “Minha mãe até viu uma reportagem no Fantástico. Eu era pequenininho ainda. Ela comentou sozinha: ‘Meu Deus, quando vou ter dinheiro para comprar uns óculos desses para o meu filho?’ E, graças a Deus, chegou o dia”, completou o estudante, que sonha em ser professor de português e de música.
Mais qualidade de vida – Germana Pereira, de 58 anos, é aluna da Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Escola Municipal Metodista Susana Wesley. Assim como José Leandro, ela também foi contemplada com o OrCam MyEye. O equipamento, inclusive, não ajuda apenas no ambiente escolar. No dia a dia, por exemplo, a estudante já não precisa mais perguntar a alguém na fila do caixa qual cédula de dinheiro ela tem em mãos.
Ivonete Cintra Rosa Barreto Caldas, diretora da Escola Municipal Metodista Susana Wesley, diz que educar uma pessoa com deficiência visual pode exigir adaptações e cuidados extras, mas que esse processo tem sido inspirador, pois mostrou como a instituição de ensino pode se transformar e evoluir ao incluir alguém como Germana.
Inovação – O titular da Secretaria Municipal da Educação (Smed), Thiago Dantas, considerou que a aquisição dos óculos OrCam para os alunos cegos da rede municipal de ensino é um marco na promoção da inclusão e acessibilidade em nossa cidade. “Com essa iniciativa, Salvador se posiciona à frente na luta pela educação inclusiva, reafirmando o compromisso municipal com a igualdade de oportunidades. Ao disponibilizar essa tecnologia assistiva nas nossas escolas, não apenas facilitamos o acesso ao conhecimento, mas também promovemos a autoestima e o desenvolvimento pessoal dos alunos”, declarou. (Secom PMS)

No Comment! Be the first one.