Crianças de uma escola municipal na localidade de Benfica, zona rural de Santo Antônio de Jesus, tornaram-se protagonistas ao assumirem o papel de coautoras do livro infantil “Era uma Vez… Pequenos Leitores e Leitoras”, produzido a partir de uma experiência educativa promovida pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB). A iniciativa foi desenvolvida por estudantes do Bacharelado Interdisciplinar em Saúde (BIS), turma 2023.1, e teve como objetivo valorizar as vivências do campo, promover a leitura e estimular a construção coletiva do conhecimento a partir das experiências das próprias crianças. (Foto ilustração)
O projeto foi realizado no âmbito dos componentes curriculares Comunicação e Educação em Saúde e Processos de Apropriação da Realidade V (PAR V), sob orientação das professoras Mayara Melo Rocha e Diana Anunciação. A proposta partiu da compreensão da leitura como uma prática emancipatória, capaz de fortalecer o pensamento crítico, a autonomia e o reconhecimento dos saberes presentes nas comunidades rurais.
A execução da iniciativa aconteceu em dois momentos ao longo do semestre 2025.2. No primeiro, foi realizado um grupo focal com 13 crianças, entre 8 e 12 anos, estudantes da Escola Municipal José Sá Teles. O encontro teve como objetivo compreender as percepções dos participantes sobre leitura, escola e cotidiano. Segundo a estudante do BIS Giovanna Rodrigues Mastroianni de Oliveira, integrante do projeto, essa escuta inicial foi fundamental para orientar a construção do livro. “Tivemos a oportunidade de conversar com algumas crianças da escola e entender seus hábitos, gostos e a relação com o ambiente escolar, colegas, professores e familiares. Buscamos também compreender o que elas fazem além da escola e como se dá a relação com a leitura”, explicou. Ao final dessa atividade, cada participante produziu desenhos que representavam suas vivências e que gostariam de ver retratadas no livro. No segundo momento, as crianças visitaram a UFRB, onde conheceram o campus, ouviram histórias e contribuíram com ideias sobre o formato e o conteúdo da obra.
Para Giovanna, a construção coletiva do livro evidenciou a potência de práticas educativas fundamentadas na Educação Popular em Saúde e na pedagogia freireana, fortalecendo a identidade, a autonomia e o protagonismo das crianças da educação do campo. A iniciativa favoreceu a expressão criativa, o sentimento de pertencimento e uma compreensão mais contextualizada da leitura e do letramento.
A estudante também destaca o impacto do projeto na formação acadêmica e humana dos envolvidos. “Foi incrível. Me senti muito realizada ao ver a felicidade das crianças ao se reconhecerem nos desenhos e nas histórias do livro. Dar protagonismo a elas é fundamental, principalmente porque muitas vezes suas vozes não são ouvidas”, afirmou. (Ascom/UFRB)

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