Apenas 34% dos brasileiros que trabalham por intermédio de plataformas são contribuintes para a Previdência Social. Os números da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) de 2025 apontam que a contribuição previdenciária não acompanhou o ritmo do avanço no número de plataformizados, que saltou de 1,3 milhão para 1,8 milhão de trabalhadores entre 2022 e 2025. (Foto ilustração)
A socióloga do trabalho Victória Vilas Boas associa a baixa adesão à Previdência à ausência de uma regulação no Brasil.
“Como ainda existem poucas regras que definam nitidamente as responsabilidades das plataformas, a contribuição fica sob responsabilidade do próprio trabalhador. Em uma atividade marcada por renda variável e informalidade, isso dificulta a contribuição regular e aumenta a vulnerabilidade dos trabalhadores em situações de doença, acidente ou incapacidade”, explica.
As transformações nas relações de trabalho mediadas por plataformas são estudadas sob o nome de uberização, modelo de contratação em que a plataforma conecta um prestador de serviços a um cliente, porém a partir de uma negação do vínculo de trabalho.
“No modelo atual, o trabalhador que não possui vínculo formal precisa realizar sua própria inscrição e efetuar a contribuição previdenciária. Isso produz uma situação peculiar: a plataforma organiza e gera o trabalho, mas a contribuição é individualizada como responsabilidade do trabalhador”, detalha. Outro fator chave na visão da socióloga é o custo envolvido no trabalho: gastos como combustível, manutenção e seguro ficam a cargo do próprio trabalhador. Dessa forma, restam menos recursos para a Previdência frente a necessidades mais imediatas. (Débora Sobreira)


No Comment! Be the first one.