A Justiça de Feira de Santana voltou a analisar a recuperação judicial do Grupo 2 de Julho, um dos mais tradicionais conglomerados empresariais da cidade, com atuação no atacado de alimentos e na produção, torrefação e comercialização de café. O site Bahia na Política teve acesso a decisão assinada no último dia 11, pela juíza Carla Santa Bárbara Vitório, da 6ª Vara dos Feitos Relativos às Relações de Consumo, Cíveis e Comerciais, que determinou novas medidas para proteger o patrimônio e o fluxo financeiro das empresas durante o processo. A decisão ocorre após o deferimento da recuperação judicial em 25 de maio. O grupo declarou dívida consolidada de aproximadamente R$ 137,2 milhões, sendo cerca de R$ 77,7 milhões submetidos ao processo recuperacional.
Entre as principais determinações de 11 de setembro está a expedição de ofícios à Justiça de São Paulo para liberar R$ 202,3 mil bloqueados em conta do produtor rural José Avelino Borges da Silva, além da retirada de restrições sobre uma caminhonete Volkswagen Amarok e da liberação de indenização securitária relacionada a outro veículo. Em outro processo, a magistrada determinou que seja liberado ou transferido para a recuperação judicial o valor de R$ 231,5 mil bloqueado da empresa Zenilda Rebouças de Almeida Ltda. A decisão considera que os recursos são necessários ao funcionamento das atividades do grupo e ao custeio da produção agrícola.
A magistrada também fixou em 2,5% do passivo concursal, equivalente a R$ 2,324 milhões, a remuneração definitiva da administradora judicial EXM Partners. Do total, R$ 213 mil correspondem aos honorários provisórios, enquanto o saldo deverá ser pago em 30 parcelas mensais de R$ 70,3 mil. Na mesma decisão, a Justiça rejeitou os pedidos dos bancos Banco do Brasil e Banco Triângulo em pontos relacionados à recuperação, manteve a proteção das empresas contra vencimentos antecipados e constrições durante o período de blindagem e afastou, neste momento, a exigência de certidões negativas de débitos tributários requerida pelo Estado da Bahia.
O Grupo 2 de Julho chegou à recuperação judicial após mais de três décadas de atividade. A história começou com o empresário José Avelino Borges da Silva, conhecido como “Zé Grande”, a partir da comercialização de café produzido na Chapada Diamantina, especialmente na região de Mucugê. A operação cresceu e passou a reunir produção rural, indústria de torrefação e distribuição atacadista. O Atacado 2 de Julho informa que sua atuação comercial foi ampliada a partir de 1995 e que o grupo chegou a gerar mais de 200 empregos diretos. Agora, a decisão de 11 de setembro representa mais um capítulo do processo de tentativa de reorganização financeira de uma marca que se tornou conhecida no comércio de Feira de Santana e de municípios da região. (Da Redação)


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