O Brasil acaba de cruzar uma fronteira numérica que deveria tirar o sono da sociedade: a conta de juros da dívida pública atingiu, pela primeira vez na história, a assustadora marca de R$ 1 trilhão em 12 meses. (Foto ilustração)
Os dados, divulgados hoje pelo Banco Central, revelam que o país caminha na direção de armadilha financeira que consome uma fatia cada vez maior da riqueza produzida pelos brasileiros.
Para dar dimensão aos dados: R$ 1 trilhão é mais do que o dobro de todo o orçamento anual da Saúde e Educação somados.
É um dinheiro que não constrói hospitais, não equipa escolas e não melhora a educação das crianças. Só remunera quem empresta dinheiro ao Estado.
A estatística mais cruel, no entanto, surge na comparação com o tamanho da economia. O custo dos juros nominais ficou em 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB).
Esse foi o segundo ano seguido que a fatura gira em torno de 8% do PIB. A conta mais que dobrou em cinco anos: em 2020, a conta era de 4,1% do PIB.
Em outras palavras, caminhamos a passos firmes rumo aos 10% do PIB em pagamento de juros.
Na prática, o Brasil paga quase um “dízimo” para o setor financeiro. De cada R$ 10 gerados pela economia nacional — do agronegócio à padaria da esquina —, quase R$ 1 é destinado exclusivamente para pagar quem empresta para que o governo consiga pagar as contas no fim do mês. (Fernando Nakagawa)


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