Será que o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Paulo Skaf, aguentaria trabalhar 12 horas por dia, seis dias por semana, dirigindo o ônibus Paripe-Rodoviária, sem ar-condicionado, na capital baiana? Quem pergunta é o dirigente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT) para o setor de Energia, Petróleo, Gás e Mineração, Deyvid Bacelar, estendendo o desafio ao candidato Flávio Bolsonaro que, como Skaf, já se manifestou contra o projeto de lei apresentado pelo presidente Lula ao Congresso Nacional, em regime de urgência, determinando o fim da escala 6 x 1 no Brasil.
“Paulo Skaf e Flávio Bolsonaro são filhinhos de papai da elite brasileira, ambos não sabem de forma alguma o que é trabalhar em uma escala 6 x 1. Dá pra imaginar esses cabras trabalhando seis dias, mais de oito horas por dia, nesse trânsito maravilhoso de Salvador?”, ironiza Bacelar.
Para o dirigente sindical licenciado, é muito importante que o trabalhador que atua no setor do comércio, industrial ou de serviços em Salvador esteja pressionando os deputados para que essa mudança na escala seja aprovada. “Mais uma vez estamos vendo a extrema direita se manifestando contra essa mudança que beneficia os trabalhadores e trabalhadoras, como é o caso do senador Ângelo Coronel, que já se manifestou contra o fim da escala 6 x 1”, afirmou Bacelar.
Referindo-se ao ex-prefeito de Salvador ACM Neto, o dirigente do PT ressalta que até o momento ele não se posicionou de forma firme pelo fim da escala 6 x 1. “Todo mundo sabe que ele é ligado ao empresariado e, se está dizendo agora que defende o fim da escala 6 x 1, é somente para não perder voto”, aposta Deyvid, que participou da Marcha da Classe Trabalhadora, em Brasília, um dia após o presidente Lula ter encaminhado o projeto ao Congresso.
“E nossa Marcha já teve reflexos no Congresso”, afirmou Deyvid, visto que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou na tarde da última quarta-feira (22/4) duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que colocam fim à escala 6×1.
“É um descaramento o presidente da Fiesp se manifestar contra o fim da escala 6 x 1. Mas a gente sabe que ele defende os interesses do empresariado, dos donos das grandes indústrias que obviamente são contrário à redução de jornada sem redução de salário”, avaliou Bacelar. “Ele esquece que o mundo inteiro já fez essa redução de jornada de 44 para 40, 36 ou 30 horas. O Brasil desde 1988 não trata desse tema. O presidente lula acertou em cheio ao ouvir o clamor da classe trabalhadora brasileira, apresentando ao Congresso Nacional esse projeto”, defendeu o sindicalista.
Atualmente, os motoristas de transporte coletivo em Salvador operam majoritariamente na escala 6×1 (seis dias de trabalho por um de folga), uma jornada frequentemente descrita como exaustiva, com turnos que podem durar de 12 a 14 horas diárias. Os rodoviários têm enfrentado jornadas consecutivas com apenas uma folga semanal, englobando finais de semana, feriados e madrugadas.


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