A inflação no setor de serviços, ponto de atenção para a política monetária, seguirá acima do teto da meta inflacionária (4,5%) em 2026, mas não deve ser empecilho para que o Banco Central (BC) inicie o afrouxamento da Selic no começo do próximo ano, avaliam economistas consultados pela Broadcast. (Foto ilustração)
Os preços de serviços devem seguir como no foco do Banco Central, ao lado de um mercado de trabalho relativamente aquecido. A avaliação é do economista-chefe do BTG Pactual, Mansueto Almeida, que ressalta que o nível ainda elevado da inflação de serviços, hoje próxima de 6%, reflete mudanças estruturais da economia e a resiliência do emprego.
A taxa de desemprego deve subir pouco, para algo em torno de 6,5% em 2026, estima Mansueto. “Mesmo com alguma desaceleração, o mercado de trabalho segue aquecido, e isso exige observar a inflação de serviços com lupa. Mas o BC tem respaldo técnico para começar a cortar os juros em janeiro”, afirma.
A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, avalia que o BC já decidiu que irá reduzir os juros independentemente do nível da inflação de serviços. “A redução na Selic será mais uma questão de orçamento do que, de fato, do timing”, pontua. A corretora estima o início do afrouxamento monetário em janeiro e taxa terminal de 12,25% no fim de 2026.
O economista-chefe da EQI Asset, Stephan Kautz, considera que a inflação de serviços deve seguir como o grande tema em 2026. Segundo Kautz, em 2025 tais preços trouxeram uma surpresa baixista. “Quando olhamos a composição, vemos uma influência indireta da parte de alimentação fora do domicílio, porque ela entra em serviços subjacentes e apresentou números mais fracos do que o inicialmente previsto”, observa. (Por Anna Scabello e Luciana Antonello Xavier)

No Comment! Be the first one.