Durante décadas, as Hepatites Virais foram a principal preocupação dos hepatologistas brasileiros. Hoje, porém, esse cenário mudou. Graças ao avanço do diagnóstico, da vacinação e dos tratamentos oferecidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS), a hepatite C passou a ter cura na maioria dos casos e a hepatite B pode ser controlada com medicamentos eficazes. (Foto ilustração)
Ao mesmo tempo, outro problema cresce silenciosamente: a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica, conhecida popularmente como gordura no fígado.
O alerta é do hepatologista Dr. Raymundo Paraná, professor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e uma das maiores referências brasileiras na especialidade. Segundo ele, a hepatologia vive uma transformação histórica, impulsionada tanto pelos avanços científicos quanto pelas mudanças no estilo de vida da população.
“As hepatites deixaram de representar o principal problema de saúde pública na hepatologia. Foi então que outra doença passou a ocupar esse espaço: a esteato-hepatite, conhecida popularmente como gordura no fígado.”
No Dia Mundial de Luta Contra as Hepatites Virais, celebrado em 28 de julho, especialistas reforçam que o combate às hepatites continua sendo fundamental. No entanto, também chamam atenção para a necessidade de prevenir uma doença que acompanha o aumento da obesidade, do diabetes e do sedentarismo em todo o mundo.
A vitória contra as hepatites abriu espaço para um novo desafio
Segundo Dr. Raymundo Paraná, durante muitos anos cerca de 70% dos pacientes atendidos nos ambulatórios de hepatologia apresentavam hepatites virais, principalmente hepatite C.
“Quase 70% dos casos de câncer de fígado estavam associados à hepatite C. Da mesma forma, cerca de 70% dos transplantes de fígado tinham como causa essa doença. Vivíamos praticamente em função dela.”
Esse cenário começou a mudar com a estruturação do Programa Nacional de Hepatites Virais, a ampliação do diagnóstico e, principalmente, com a incorporação dos antivirais de ação direta ao SUS.
“A partir de 2015 e 2016 chegaram os antivirais orais capazes de curar a hepatite C. A realidade mudou completamente. Ao mesmo tempo, os medicamentos para hepatite B tornaram-se muito mais eficazes. Eles não curam a doença, mas conseguem impedir sua progressão.”
Enquanto as hepatites passaram a ser cada vez mais controladas, a obesidade e as doenças metabólicas assumiram protagonismo entre as causas de lesão hepática. (comsaudebahia)

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