Os canais do Grupo Globo receberam quase metade de todo o investimento em publicidade televisiva feito pela administração direta do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste terceiro mandato. Levantamento feito pelo Poder 360 com base em dados oficiais mostra que 49,4% dos recursos destinados à propaganda estatal federal em televisão ficaram com o conglomerado de mídia até agora. (Foto ilustração)
Os valores analisados dizem respeito às verbas da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), dos ministérios e de órgãos vinculados exclusivamente ao Poder Executivo — o que se classifica como administração direta. Os gastos de empresas estatais federais, como Petrobras e Banco do Brasil, não são divulgados pelo governo e, portanto, não entram no levantamento.
Nos três primeiros anos do atual governo, os investimentos em publicidade na TV foram distribuídos da seguinte forma:
2023: R$ 345,1 milhões gastos em propaganda televisiva, dos quais R$ 175,5 milhões ficaram com emissoras da Globo;
2024: do total de R$ 351,9 milhões destinados à TV, o grupo recebeu R$ 169,8 milhões;
2025: até o momento, a Globo embolsou R$ 116,3 milhões dos R$ 236,9 milhões investidos — dados ainda parciais, que devem crescer com as atualizações de fim de ano.
Durante o governo anterior, de Jair Bolsonaro (PL), a participação da Globo nunca ultrapassou 30% do total. Naquele período, os recursos eram distribuídos de forma mais equilibrada entre Globo, Record e SBT, com leve desvantagem para a emissora da família Abravanel. Com Lula, a diferença entre a Globo e as demais redes se ampliou já no primeiro ano do mandato e se manteve elevada desde então.
Os dados utilizados na reportagem são do Sicom (Sistema de Comunicação de Governo do Poder Executivo Federal) e foram corrigidos pela inflação. O painel reúne os gastos com publicidade da Secom e dos ministérios. Segundo os números, sob Lula, apenas a Globo ampliou sua participação na publicidade estatal federal em comparação com 2022. Todos os demais grandes grupos perderam espaço. (Por Julinho Bittencourt/Jornal do Brasil)

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