A eleição para o Senado em 2026 é tratada dentro do governo Lula como uma aposta estratégica para ampliar a base aliada no Congresso. Das 54 cadeiras em disputa em todo o país, 18 pertencem aos estados do Nordeste, região onde o presidente mantém sua maior aprovação e onde o PT e os partidos da base concentram algumas das disputas mais decisivas. (Foto ilustração: candidatos ao senado pelo estado da Bahia, Jaques Wagner, Angelo Coronel e Rui Costa)
O Planalto vê na eleição uma oportunidade de traduzir o capital político de Lula em poder legislativo, fortalecendo o campo governista no Senado e reduzindo a dependência de alianças voláteis com o centrão. Para isso, aposta em uma ofensiva que envolve ministros e governadores com forte enraizamento regional. Entre os ministros nordestinos que articulam candidaturas estão Rui Costa (Casa Civil), na Bahia; André Fufuca (Esporte), no Maranhão; e Sílvio Costa Filho (Portos e Aeroportos), em Pernambuco – além de Márcio Macêdo, recém-saído da Secretaria-Geral da Presidência, em Sergipe.
A estratégia também passa por governadores e ex-governadores com trajetória consolidada, como João Azevedo (PSB-PB) e Fátima Bezerra (PT-RN), além de ex-chefes de Executivo e caciques locais.
O Planalto monitora com atenção os embates regionais de maior peso político, como o confronto entre Renan Calheiros (MDB) e Arthur Lira (PP), em Alagoas, que simboliza a disputa de influência entre o MDB tradicional e o centrão bolsonarista. Em Pernambuco, a disputa de Sílvio Costa Filho (Republicanos) com Humberto Costa (PT) e Marília Arraes (Solidariedade) também tem impacto direto sobre o equilíbrio interno da base lulista.
Mais do que uma soma de disputas estaduais, o governo enxerga a corrida nordestina como um eixo de sustentação política nacional. O Nordeste se tornou o principal campo de batalha para Lula garantir maioria no Senado e recompor a força política necessária para aprovar reformas e projetos estruturantes na segunda metade do mandato.
Bahia
O ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT), manifestou interesse em disputar uma vaga no Senado em 2026. Os senadores Jaques Wagner (PT) e Angelo Coronel (PSD), que encerram seus mandatos, também devem tentar a reeleição – o que exigirá uma articulação entre PT e PSD para definir as candidaturas ao Senado e ao governo estadual. Entre os cotados, aparecem os deputados Márcio Marinho (Republicanos) e Adolfo Viana (PSDB), além do ex-ministro João Roma (PL). Outro nome lembrado é o do ministro do TCU Aroldo Cedraz, que se aposentará no início do próximo ano. Cedraz já foi deputado federal. (congressoemfoco)

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