Durante a abertura da 30ª. Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, em Belém do Pará, o presidente Lula reafirmou o Brasil como referência no combate ao aquecimento global, mas foi criticado por alguns veículos de imprensa por ter defendido a exploração de petróleo na Margem Equatorial (região localizada no Norte e Nordeste do país, entre o Amapá e o Rio Grande do Norte). A culinarista e escritora Bela Gil (filha do cantor Gilberto Gil) chegou a postar em suas redes sociais um vídeo criticando a Petrobras. (Foto ilustração: coordenador geral da FUP, Deyvid Bacelar)
Para o coordenador geral da Federação Única dos Petroleiros e Petroleiras (FUP), Deyvid Bacelar, não há nenhuma contradição quando o governo e entidades históricas defendem a soberania energética e a transição energética justa.
“Nós, da FUP, temos defendido que a riqueza gerada a partir da exploração do petróleo da Margem Equatorial seja utilizada para garantir a transição energética justa nas regiões Norte e Nordeste do país”, defendeu Bacelar. “É preciso que esse petróleo seja tratado de maneira diferenciada e que sua riqueza ajude na proteção da floresta amazônica, na proteção da mata atlântica e da caatinga”, ressaltou.
Bacelar compõe uma delegação de 30 petroleiros e petroleiras que vão participar de painéis temáticos ao longo da COP 30. Um desses painéis vai debater o tema “Soberania Energética” no próximo dia 13/11, no espaço denominado Zona Azul, em Belém. Ele lembrou que o Brasil tem conseguido ser autossuficiente na produção de petróleo e gás natural graças ao pré-sal. “Mas a partir de 2032 a produção do pré-sal entrará em queda e em 2036 voltaremos a importar petróleo, deixando de ser autossuficientes. Daí a importância da Margem Equatorial, que vai garantir a nossa soberania por mais alguns anos, ajudando no processo de transição energética”, afirmou.
Segundo Bacelar, essa riqueza (da Margem Equatorial) precisa ajudar não somente no desenvolvimento econômico, mas principalmente no desenvolvimento social das duas regiões (Norte e Nordeste).
“A FUP estará em Belém defendendo e exploração da Margem Equatorial sem nenhum acanhamento. Precisamos ficar atentos ao discurso de algumas ONGs do Norte Global, que se dizem ambientalistas, mas que na verdade estão defendendo os interesses de grandes petrolíferas internacionais. Nós entendemos que estamos muitos anos luz à frente dos países deles no que se refere às energias renováveis e que, no Brasil, o problema de emissão de gases de efeito estufa é proveniente do agronegócio, do desmatamento, das queimadas, mas não da indústria petrolífera”, apontou.
Bacelar defendeu também que haja muito diálogo com trabalhadores e trabalhadoras e com as comunidades quilombolas, indígenas e ribeirinhas que são impactadas pela atividade econômica petrolífera. Ele destacou a importância de a perfuração do primeiro poço na Margem Equatorial ter sido aprovada durante o governo democrático do presidente Lula, o que garante o direito de exploração à Petrobras, e não a petrolíferas estrangeiras.
Ainda segundo o sindicalista, duas ambientalistas, que se posicionavam contra a exploração da Margem Equatorial, reconheceram que, já que a exploração é inevitável, é melhor que seja feita pela Petrobras, que já explora petróleo na Amazônia, em Urucu, há mais de 35 anos sem nunca ter causado um acidente ambiental. “A Petrobras detém a melhor tecnologia para exploração em águas profundas e ultraprofundas. Por outro lado, vejam o que aconteceu no mundo com outras petrolíferas, que causaram acidentes gravíssimos no golfo do México, na Nigéria e em outros países da África. As petrolíferas levaram a riqueza desses países, que foram devastados ambientalmente e socialmente. Por isso, precisamos ficar atentos. No governo Lula, quem vai explorar a Margem Equatorial é a Petrobras; mas se for num governo de extrema direita, quem vai explorar a Margem Equatorial serão as petrolíferas internacionais”.

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