Em mais um passo rumo à equidade étnico-racial, o Ministério da Saúde está implantando a rede de assistência à saúde indígena no Rio Grande do Norte e no Piauí, com criação de unidades do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), polos de atenção e inserção de equipes formadas por profissionais de múltiplas especialidades, para atendimento das comunidades que vivem nos estados. Com a conclusão dessas ações, pela primeira vez, todas as unidades da federação farão parte do Subsistema de Atenção à Saúde Indígena do Sistema Único de Saúde (SUS). (Foto ilustração)
A medida vai impactar cerca de 9,5 mil indígenas: 5,4 mil de 4 etnias que vivem no Rio Grande do Norte e 4,1 mil de 7 etnias residentes no Piauí. “Vamos garantir uma política de saúde específica e diferenciada a essas populações, que tiveram o direito à saúde historicamente negado”, conta o coordenador-Geral de Gestão das Ações de Atenção à Saúde Indígena, Antônio Fernando.
Quatro novos polos de atenção no Piauí
No Piauí, serão formados quatro polos de atenção à saúde indígena:
– Piripiri e Lagoa de São Francisco;
– Uruçui e Baixa Grande do Ribeiro;
– Bom Jesus e Currais;
– Paulistana e Queimadas Novas.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que 4,1 mil indígenas das etnias Tabajara, Caboclo Gamela, Kariri, Caboclo da Prata, Akroá Gamela, Guegué de Sangue e Tapuios residem em dez municípios do Piauí. Com a abertura dos polos, esses grupos terão acesso a atendimento de saúde com equipe multidisciplinar, composta por médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem, dentistas, auxiliares de saúde bucal e agentes indígenas de saúde.
A inserção de profissionais nos territórios está prevista para novembro deste ano, após processo de seleção e qualificação, previsto para agosto. Em maio, foram abertos os processos seletivos para escolha das equipes de saúde que serão alocados em Teresina, inicialmente nas funções de apoiador, enfermeiro de gestão e gestor de saneamento.
Mais de 5 mil indígenas beneficiados no RN
No Rio Grande do Norte, um dos primeiros passos para início da assistência foi um processo de escuta com as lideranças indígenas dos mais diversos municípios, incluindo comunidades indígenas que vivem de forma tradicional, com apoio do DSEI Potiguara, localizado na Paraíba. Esse levantamento apontou, inicialmente, que o Rio Grande do Norte conta com 4 etnias indígenas que vivem de forma tradicional: os povos Tapuia Paiacu, Tapuia Tarairiú, Potiguara e Caboclos do Açu. (Nadja Alves dos Reis)

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