A prefeitura de São Paulo definiu, nesta quinta-feira, que a tarifa do transporte municipal de ônibus subirá para R$ 5,00 a partir do dia 6 de janeiro, um aumento de 13,6% em relação aos atuais R$ 4,40. A gestão municipal defende que o novo valor definido para os ônibus “está bem abaixo” da inflação acumulada desde a última mudança, em janeiro de 2020. “Caso a tarifa considerasse a recomposição da inflação, passaria para no mínimo R$ 5,84”, afirma a prefeitura. (Foto ilustração: prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), dirigindo um ônibus)
A CPTM e o Metrô também devem ter um aumento na tarifa, de acordo com o prefeito Ricardo Nunes (MDB), com a passagem indo de R$ 5 para R$ 5,20. “O Governo do Estado irá corrigir, também abaixo da inflação, ficará R$ 5,20 o Metrô”, disse o prefeito à reportagem. Mais tarde, o governo oficializou a medida e confirmou o valor.
A mudança ocorre após reunião no Conselho Municipal de Trânsito e Transporte (CMTT), na qual a SPTrans apresentou a atualização e a evolução dos custos do sistema de transportes. A sugestão foi de aumentar a tarifa entre RS 5,00 a R$ 5,20. “A nova tarifa definida pela Prefeitura de São Paulo corresponde ao menor valor entre aqueles apresentados ao Conselho”, diz a prefeitura.
Ao longo do ano eleitoral, Nunes optou pela manutenção da tarifa dos ônibus, uma concessão municipal. Mesmo que tenha falado sobre desejar manter o preço congelado no próximo ano, após a reeleição ele começou a sinalizar a possibilidade de um aumento. Além da inflação, o prefeito citou a alta no dólar como um a alta no dólar como um dos fatores que levariam a mudança.
— Ontem, o dólar passou para R$ 6,26. Então, esse momento é de entender como é que vai se comportar a economia no ano que vem e isso que está impactando a nossa decisão. Se a gente consegue manter congelado, que eu acho difícil por esse cenário, sendo muito honesto, com dólar a mais de R$ 6 e o diesel, que é um grande componente do custo do transporte coletivo — disse o prefeito na última quinta-feira, 19. A declaração foi lida como uma tentativa de dividir o ônus da decisão com o governo federal.
Na capital paulista, como em outras cidades brasileiras, o custo de operação do sistema de transporte é dividido entre poder público e os usuários. Para manter o valor da passagem em um patamar “saudável” para a população, a prefeitura transfere um montante para as empresas, de modo a abater os gastos. Em 2025, a previsão é de que a administração municipal destine R$ 6,5 bilhões às companhias por meio desses subsídios.
O novo valor para os ônibus será encaminhado Câmara Municipal dos Vereadores, seguindo o trâmite legal. Todas as gratuidades existentes estão mantidas, bem como a integração entre até quatro ônibus em um período de três horas.
Na gestão estadual, o última mudança tarifária foi em 2024, quando a passagem nos trens e metrôs passaram dos R$ 4,40 para os atuais R$ 5,00. Desde então há um descompasso entre o tarifa dos modais estaduais e municipais, que tradicionalmente tinham o mesmo valor.
Questionamento judicial – Na tarde de quinta, a vereadora eleita Amanda Paschoal (PSOL) e o vereador eleito Nabil Bonduki (PT) questionaram na justiça a legalidade da reunião do CMTT que deliberou sobre a proposta do aumento de tarifa. Eles alegam que o CMTT descumpriu uma decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo , proferida em uma Ação Civil Pública movida pela Defensoria Pública, em 2019, que determinou que toda proposta de aumento da tarifa deveria ser apresentada no Conselho. (oglobo)

No Comment! Be the first one.