A ameaça tarifária de Donald Trump representa o maior desafio da política externa do Brasil desde que o presidente Lula voltou ao poder. Ela tem o potencial de abalar a economia brasileira e a relação bilateral com os EUA, principal fonte de investimento estrangeiro direto no país. (Foto ilustração: Donald Trump e Lula)
Três fatores complicam qualquer possível resolução. Em primeiro lugar, duas demandas-chave da carta publicada pelo presidente Trump, escrita em tom altamente ofensivo, não estão sujeitas a negociação com governos estrangeiros e não têm a mínima chance. Afinal, tanto o julgamento de Bolsonaro quanto os processos contra as plataformas digitais são decisões do judiciário brasileiro.
O segundo problema é que, como o Brasil é apenas o décimo quinto maior parceiro comercial dos EUA, o impacto macroeconômico da implementação de tarifas elevadas sobre produtos brasileiros seria limitado para os Estados Unidos.
Terceiro, como o Brasil geralmente voa fora do radar da política de Washington (estratégia que, em parte, deu certo), governos brasileiros nunca investiram na criação de uma estrutura na capital americana que pudesse ser facilmente acionada em tempos de crise para defender interesses brasileiros em praça pública. (Crédito: Oliver Stuenkel/Agência Estado)

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