Há uma contradição difícil de sustentar no governo Jerônimo Rodrigues (PT). O governador da Bahia, declarou recentemente, em evento no Fórum Ruy Barbosa, que “não é papel do Estado matar e nunca será”. Disse ainda que o Estado tem uma “responsabilidade muito maior” do que transformar “homens e mulheres em sangue”. A fala seria nobre – se não viesse de quem comanda a polícia que mais mata no Brasil.
De janeiro a setembro deste ano, 1.252 pessoas morreram em ações policiais na Bahia, o equivalente a cinco por dia. Um em cada quatro mortos pela polícia no país é baiano. Nos últimos três anos, segundo o Instituto Fogo Cruzado, foram 85 chacinas policiais em salvador e na Região Metropolitana, com 324 mortos.
Esses números não representam uma distorção: são o retrato da rotina. E é justamente por isso que as palavras do governador soam como um manifesto em conflito com a própria realidade que administra. Esta observação não é – nem deve ser – uma crítica à polícia. Os agentes estão na linha de frente de uma guerra diária, muitas vezes sem estrutura e sem respaldo político. A crítica é à falta de direção. Afinal, qual é o verdadeiro posicionamento de Jerônimo Rodrigues? Ele defende ou não o trabalho da polícia que comanda? (Colaboração/Correio)

No Comment! Be the first one.