A cada dois anos, cresce o número de brasileiras e brasileiros que vai às urnas escolher aqueles que os representarão nos Poderes Executivo e Legislativo. Acompanhando esse cenário, a Justiça Eleitoral registrou um relevante aumento na participação das pessoas com deficiência nas urnas. Somente nas Eleições Municipais de 2024, dos mais de 155,9 milhões de eleitoras e eleitores aptos a votar, 1,4 milhão declarou ter algum tipo de deficiência. Isso quer dizer que, em oito anos, o eleitorado PCD mais do que dobrou no Brasil – em 2016 eram 598,1 mil. (Foto ilustração)
Para prestar apoio logístico nos locais de votação, a Resolução TSE nº 23.736/2024prevê a função de coordenador de acessibilidade. Cabe a eles verificar se os locais de votação estão em condições adequadas para receber o eleitor com deficiência, adotar as medidas necessárias para aperfeiçoar o acesso às seções eleitorais e, ainda, orientar e atender as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida com respeito e cordialidade.
Em todo o Brasil, 45.354 coordenadores de acessibilidade receberam treinamento para prestar orientações às pessoas com deficiência nos dias de eleição em 2024. No Paraná, por exemplo, o curso contou com oficinas, palestras sobre inclusão, uso de terminologia adequada e dicas para o melhor convívio com os eleitores com deficiência.
“Foi um trabalho voltado para sensibilizar sobre a importância do coordenador de acessibilidade e dar dicas de comportamento inclusivo, despertando a empatia, para que a pessoa com deficiência possa exercer o direito ao voto sem discriminação ou preconceito”, explica o presidente da Comissão Permanente de Acessibilidade e Inclusão do Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR), Neryberto Loureiro da Silva.
Entre as atividades práticas, os coordenadores de acessibilidade puderam vivenciar situações reais do cotidiano, como o uso de cadeira de rodas, a simulação da locomoção com bengalas e olhos vendados e a utilização correta do piso tátil em alto-relevo, para garantir um deslocamento seguro. Eles também receberam orientações sobre como identificar e remover obstáculos, além de planejar rotas alternativas que assegurem ao eleitor com deficiência o acesso tranquilo até a seção eleitoral.
Os palestrantes abordaram ainda temas relacionados à hipersensibilidade de pessoas autistas, como sons intensos e luz excessiva. Para o atendimento de eleitores surdos, foi disponibilizado um QR Code que os direciona para chamadas de vídeo com a Central de Libras do Tribunal, garantindo comunicação acessível e eficiente.
“A gente visa ao acolhimento: perguntamos se a pessoa precisa de ajuda e, se ela disser que sim, temos pessoas capacitadas para auxiliá-la”, relata Neryberto. (Fonte: TSE)

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