Em entrevista a jornalistas na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva questionou se o aumento da produção de biodiesel por meio da soja estaria impactando a alta da oleaginosa. A declaração repercutiu durante a semana e incomodou representantes do setor de combustíveis, que afirmam que não há relação entre as questões. (Foto ilustração)
Na ocasião, Lula afirmou que chamaria empresários para entender por que o óleo de soja custava R$ 4 no início de sua gestão e agora está R$ 10. “Eu quero saber se a soja para o biodiesel está criando problema, eu quero saber se o milho para o etanol está criando problema e eu só posso saber disso se eu chamar os empresários da área para conversar”, disse.
De acordo com matéria da Folha de S. Paulo, entidades do setor como a Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio) não veem respaldo técnico na hipótese levantada pelo presidente.
Na visão da associação, Lula recebeu informações atravessadas e não pensou antes de dizer. Ainda, o setor teme que a fala influencie negativamente a imagem do país para outras nações que evitam comprar biocombustíveis do Brasil.
É o caso da União Europeia, que não compra combustíveis produzidos a partir de matérias-primas que, em alguma medida, abastecem a cadeia de alimentos, por preocupações com a segurança alimentar.
Explicação do setor
Após a declaração de Lula, empresários do setor preparam uma explicação para o governo e para a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), para dizer que apesar de elevar o preço do óleo de cozinha, o crescimento da demanda por óleo de soja (matéria-prima do biocombustível) deixa a carne mais barata.
Segundo a Aprobio, cerca de um terço da soja colhida no Brasil é esmagada e, do produto final, 20% é óleo de soja e 80% farelo, usado em rações de gados. Assim, a valorização do óleo de soja a partir da produção de biodiesel ajuda no custeio da produção e permite ao produtor diminuir o preço do farelo, que desencadeia no preço da carne. (Por Gustavo R. Silva)

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