A discussão em um restaurante de São Paulo, entre o cantor Ed Motta e um garçom, que levou a agressão física, foi motivada pela cobrança da “rolha”, que o artista não queria pagar. E claro, provocou reações diversas. Destaque para a observação de Ian Oliver, crítico gastronômico: taxa de rolha é apenas a cobrança por usar a estrutura do local, sem consumir justamente um dos itens de maior margem da casa, o vinho.
Existe uma fantasia muito brasileira de que restaurante é uma espécie de extensão da sala de casa – só que com iluminação melhor, guardanapo de pano, alguém servindo e lavando a louça depois. Talvez por isso qualquer regra mínima de funcionamento seja recebida pelo público como uma afronta pessoal. Cobrou taxa de rolha? Absurdo. Pediu reserva antecipada? Arrogância. Limitou horário? Ditadura gastronômica.
Falta pouco para acionarem a Convenção de Genebra porque o sommelier não aceitou abrir um DV Catena falsificado, levado pelo “contatinho do zap”. Mas convém revelar um segredo pouco comentado fora das cozinhas: restaurantes são empresas. No fundo, a taxa de rolha não é um absurdo. É apenas um lembrete, meio desagradável, como tantos outros da vida adulta, de que civilização custa dinheiro. Há restaurantes que cobram, outros que não cobram, outros que nem aceitam vinho de fora. Ligue, pergunte, pague, seja agradável. Quer economizar a qualquer custo? Beba em casa. Lá a rolha é grátis.


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