A oposição acionou a PGR (Procuradoria-Geral da República) nesta segunda-feira (16) contra a Acadêmicos de Niterói por causa de uma ala do desfile em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que retratou evangélicos em fantasias de “latas de conserva”. (Foto ilustração)
A escola, que abriu a primeira noite de desfiles do Grupo Especial no Rio de Janeiro, apresentou uma ala batizada de “neoconservadores em conserva”. A fantasia trazia uma lata, representando uma família tradicional, composta por um homem, uma mulher e os filhos.
Na cabeça, os componentes traziam adereços variados com referência ao agronegócio, a uma mulher de classe alta, aos defensores da ditadura militar e aos evangélicos.
Os autores das notícias-crime foram o senador Magno Malta (PL-ES) e o deputado federal Rodolfo Nogueira (PL-MS). Nos dois pedidos, os parlamentares sustentam que houve ridicularização pública do grupo religioso em apresentação transmitida nacional e internacionalmente. Para eles, a encenação ultrapassou a manifestação artística e pode configurar crime.
Magno Malta enquadra o episódio como discriminação religiosa, com base no artigo 20 da Lei 7.716/1989. O senador afirma que a representação promoveu a equiparação visual de fiéis a objetos enlatados, expondo evangélicos a escárnio coletivo. Ele pede a abertura de investigação criminal e a responsabilização dos envolvidos.
Já Rodolfo Nogueira aponta possível violação do artigo 208 do Código Penal, que trata do escarnecimento público por motivo de crença religiosa. O deputado destaca que um personagem identificado como evangélico aparecia dentro da alegoria portando a Bíblia, o que, segundo ele, reforça o caráter vexatório.
Na avaliação do parlamentar, estão presentes a publicidade da conduta, o uso de símbolo religioso reconhecível e a difusão massiva. Ele solicita a obtenção das gravações do desfile e a identificação dos responsáveis pela concepção do conteúdo. (Jussara Soares/CNN)

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