“Não há nada incoerente na peça orçamentária de 2026, tem desafios, mas é crível”, disse o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (foto ilustração), nesta quinta-feira (18). Ele defendeu que a equipe econômica está “reconstruindo a trajetória de equilíbrio das contas”. E exemplificou que, em 2024, as receitas ordinárias foram maiores e as extraordinárias menores e a meta de déficit zero foi cumprida.
O ministro negou que a equipe econômica tenha tido ingenuidade ao considerar projetos não aprovados ainda pelo Congresso na peça orçamentária de 2026.
Ele afirmou que nunca enviou algo que considerava absurdo só para fechar a conta ou que soubesse de antemão que não era “aprovável”. Alegou que a discricionariedade do ministro da Fazenda no Orçamento é quase zero, “trabalha na margem”.
Haddad ainda disse que sua maior vitória na Fazenda foi a reforma tributária. “É colossal, mexe com o País”.
Ele admitiu que ainda há coisas a serem feitas, mas disse ser preciso olhar de onde o governo saiu, argumentando que as contas públicas seguem desorganizadas desde 2015. E disse ter herdado um déficit de R$ 180 bilhões do ministro anterior, Paulo Guedes, que teria herdado um valor na mesma monta do antecessor, Henrique Meirelles.
Ainda sobre o passado, disse que o teto de gastos elaborado no governo Michel Temer (MDB) perdeu credibilidade, e o atual governo recebeu a taxa de juros alta.
Assim como ele, Haddad alegou que o presidente do Banco Central indicado pelo presidente Lula, Gabriel Galípolo, “herdou problemas graves”.
Questionado sobre reforma administrativa, o ministro disse que a folha de servidores como proporção do PIB está relativamente estável e pontuou que, na discussão sobre estatais, “muitas vezes investimento soa como déficit, mas não é”. Ele exemplificou citando o sistema operacional da reforma tributária, que deverá custar algo em torno de R$ 2 bilhões.
“Como deixar a reforma tributária, que vai mudar a cara do País, sem esse investimento?”, questionou.
Para 2026, Haddad indicou que o Imposto de Importação (II) e IOF sobre IPI são medidas possíveis, mas há outras, como transações de grande porte. Também citou decisões do STF quase transitadas em julgado que podem render em 2026 “valor razoável”. “Tem um mapa de possibilidades de pequenos ajustes que compõem o quadro de 2026”.
Sobre os próximos anos, disse que a ideia é melhorar a sustentabilidade dos gastos públicos no tempo. “Acredito que nós vamos ter que fazer reformas, é o que estou fazendo o tempo todo”, completou. ()

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