Em uma resposta protocolar e, ironicamente, urgente ao escândalo de corrupção que levou à Operação USG, a Câmara de Vereadores de Formosa do Rio Preto aprovou na última terça-feira (18) o Projeto de Lei Complementar nº 007/2025. O projeto, de autoria do Executivo Municipal e protocolado em regime de urgência, reorganiza o Sistema de Controle Interno da cidade e cria as carreiras de Analista e Técnico de Controle Interno. (Foto ilustração: Câmara Municipal de Formosa do Rio Preto)
A iniciativa, apresentada pelo Prefeito Manoel Afonso de Araújo (Neo Afonso), chega com um cinismo notável. Em seu quarto mandato à frente do município, o que lhe confere profundo conhecimento da máquina administrativa, Neo Afonso só corre para criar mecanismos de fiscalização e transparência após o desvio de R$ 12 milhões do FMS ser plenamente documentado, resultando em prisões e em um forte cerco judicial e político à sua gestão.
A arquitetura da culpa: A disputa política no Controle Interno
A narrativa de “falha sistêmica” é ofuscada pelo detalhe explosivo que emerge de que a denúncia que motivou a Operação USG pode ter sido, na verdade, resultado de uma intensa guerra de poder no seio da própria administração municipal – puro fogo amigo. Segundo apurações do Portal Caso de Política, ouvindo fontes fidedignas, há fortes indícios de que as denúncias anônimas que chegaram ao Departamento de Repressão e Combate à Corrupção, ao Crime Organizado e à Lavagem de Dinheiro (Draco) podem ter sido plantadas por um grupo interno, possivelmente ligado ao médico Wagner Olímpio, para minar o grupo do médico Epifânio João da Cruz Neto, figura central nos contratos da saúde e nos pagamentos fraudulentos. Ressalta-se que se trata de uma tese, entre outras hipóteses amplamente discutidas nos bastidores da política local – não de afirmações. Tanto Epifânio, como Wagner, foram presos durante a Operação USG realizada na terça-feira (18).
Essa disputa interna revela a conivência institucional que permitiu que o esquema prosperasse, mas também expõe um ator-chave na estrutura administrativa e a ironia do esforço de transparência do Prefeito. (Por Sigi Vilares)

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