Lideranças de partidos de centro na Câmara dos Deputados enxergaram uma derrota para o governo com a aprovação do parecer de Guilherme Derrite (foto ilustração) ao projeto antifacção. As lideranças do governo e do PT orientaram o voto contrário ao próprio projeto, em protesto ao parecer do secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo. A proposta foi aprovada por 370 a 110 votos.
A resistência final do governo ao texto de Derrite foi vista pelos líderes como um erro e a demonstração de que o Planalto está disposto a enfrentar o Centrão nos temas em que for contrariado. Aliados de Hugo Motta enxergam na postura uma “birra”, que pode levar a um afastamento entre o presidente da Câmara e Lula.
O relator fez uma série de modificações a pedido do governo, levando para discussão final a sexta versão da proposta. Entre as mais recentes, Derrite estabeleceu a garantia de que a apreensão, ou perdimento, de bens e ativos de suspeitos, em investigação, ocorra de forma imediata, se tiver autorização de um juiz por meio de medida cautelar. A medida era considerada essencial para reduzir o poder financeiro as facções.
O relator também redirecionou os recursos provenientes das operações para o Fundo Nacional de Segurança Pública, ao qual a Polícia Federal tem acesso. Uma reclamação do governo era de que o primeiro parecer previa apenas o direcionamento de verbas para polícias estaduais.
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, disse que, mesmo com as modificações, o texto continuou com problemas.
Ao menos 23 deputados do PDT e do PSB votaram favoravelmente ao relatório de Guilherme Derrite sobre o projeto antifacção. As lideranças do governo e do PT orientaram o voto contrário, em protesto ao parecer do secretário licenciado de Segurança Pública de São Paulo. Mesmo assim, parlamentares da base avaliaram que o texto estava bom e a ponderaram que a opinião pública poderia cobrá-los por serem contra um projeto que aumenta a punição de criminosos.
No PDT, foram 16 votos a favor. Entre eles, do líder Mario Heringer, André Figueiredo e Mauro Benevides. No PSB, sete deputados votaram a favor: Tabata Amaral, Jonas Donizette e Duarte Jr., por exemplo. (Jovempan)

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