O prefeito José Ronaldo de Carvalho (União Brasil) anunciou recentemente que a Micareta de Feira de Santana não será mais entre os meses de abril e maio, como ocorre tradicionalmente. E claro, a sua decisão gerou questionamentos e apoios ao governo. Aqui nós ouvimos o jornalista, diretor da revista Alternativa e especialista na festa momesca Girlânio Guirra (foto ilustração), que em seu podcast externou sua posição sobre a mudança: “A Micareta mudou de data, mas não de alma. A Micareta de Feira de Santana é uma das maiores festas populares da Bahia, do Brasil e do planeta. Sempre foi sinônimo de alegria, identidade, resistência cultural e por décadas abril foi o mês que sacudiu o Brasil com seu slogan marcante, seus trios, suas atrações. Sempre foi uma vitrine. As atrações vibrantes pelas ruas, mas o tempo, os tempos, mudam, e com eles a necessidade de quem faz a festa acontecer”.
E disse mais: “A necessidade de transferir a Micareta para novembro não é um rompimento com a tradição, mas um gesto de cuidado com ela. Abril, historicamente marcado por chuvas intensas, curto espaço de tempo entre o maior carnaval do Brasil, que é o carnaval de Salvador, além da proximidade com outros grandes eventos, a exemplo dos festejos juninos. Isso, lógico, vinha prejudicando a logística, a segurança e a visibilidade da festa. E qual vem sendo o resultado? Queda de público, menos atrações de relevância nacional e uma festa que já não brilhava como antes”.
Girlânio Guirra entende que mudar para novembro é uma estratégia inteligente para devolver a Micareta o protagonismo que ela merece. Um novo calendário significa um novo espaço na agenda cultural, melhores condições climáticas e maior possibilidade de atrair turistas, artistas e investimentos. “A essência da Micareta – a música, a energia, o povo nas ruas – permanece intacta. O que muda é o cenário, não o espírito. Tradição não é rigidez, é continuidade com o propósito. E se para continuar viva, pulsante, relevante, a Micareta precisa acontecer em novembro? Que seja, porque o que sacode o Brasil não é o mês, é Feira de Santana com sua micareta vibrante”, pontuou.

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