Na avaliação do ex-presidente do BC (Banco Central) Roberto Campos Neto (foto ilustração), o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) não é um tributo para ricos e seu aumento pode encarecer toda a cadeia produtiva.
“Não é verdade que [o IOF] seja um imposto para ricos. Essa não resiste a uma conta simples do aumento no custo para uma operação de crédito pequena. Impacta toda a cadeia e encarece e distorce o processo produtivo”, disse em entrevista publicada pelo jornal Folha de S. Paulo neste domingo (6).
Campos Neto transmitiu a chefia do BC a Gabriel Galípolo em 1º de janeiro deste ano. Após cumprir período de quarentena obrigatório, ele assumiu, no último dia 1º, o cargo de vice-presidente do Conselho de Administração e Chefe Global de Políticas Públicas do Nubank.
Ao longo da conversa com a Folha, Campos Neto classificou também o IOF como “um imposto muito ruim”.
“Não se pode dizer que o encarecimento do crédito é para o andar de cima. Importante dizer que a partir de agora serei uma pessoa do mundo privado”, acrescentou.
Na última sexta-feira (4), a crise do IOF ganhou um novo capítulo. O ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), suspendeu os atos do Executivo e do Legislativo acerca do aumento do imposto e convocou uma audiência de conciliação entre os Poderes.
Esquerda tem “obsessão com desigualdade”
Questionado sobre como enxerga o cenário político da América Latina, Campos Neto avalia que há uma onda mais à direita na região.
“Tem algo sintomático dos regimes de esquerda no mundo, que está sendo questionado. Acredito fortemente no axioma que diz que, quando o governo cresce, a liberdade da sociedade diminui. As ideologias de esquerda têm uma obsessão com igualdade e não com diminuição da pobreza”, analisou o ex-chefe do BC.
“Como a igualdade não é um fenômeno natural, o governo se vende como necessário para corrigir o erro”, completou. (Lucas Schroeder)

No Comment! Be the first one.