A cultura das periferias de Salvador vai ganhar voz e palco com o podcast “Potências da Periferia”, uma realização da Prefeitura, por meio da Fundação Gregório de Mattos (FGM). O projeto terá dois episódios gravados ao vivo com plateia, nesta sexta-feira (28), no Espaço Cultural da Barroquinha, e transmitido pelo YouTube. (Foto ilustração)
A apresentação é da jornalista Luana Assiz e integra a programação do 8º Movimento Boca de Brasa, que acontece entre esta quinta-feira (27) e o sábado (29), no Quarteirão das Artes, com acesso livre e gratuito. O primeiro episódio, às 15h, traz o tema “O poder dos coletivos artísticos nas periferias”, com a participação de três iniciativas que transformam realidades por meio da arte.
A Cia de Teatro JÁÉ, do bairro de Valéria, será representada por Agatha Virgens, compartilhando a experiência do grupo que oferece ensino gratuito de teatro. O Ministereo Público Sound System, primeiro da Bahia, terá a presença de DJ Raiz, mostrando como a música conecta e fortalece a periferia. E, do Rio de Janeiro, o consagrado grupo Nós do Morro, criado há 39 anos no Vidigal, marca presença com o diretor do grupo, Luis Paulo Correa e Castro, destacando a importância de abrir caminhos culturais para jovens talentos.
“Na década de 1980, não havia acesso à arte dentro das comunidades. Criamos o Nós do Morro para transformar talentos locais em profissionais reconhecidos”, afirma Correa e Castro, que hoje é referência e formou artistas conhecidos do teatro, cinema e televisão.
Às 17h, o segundo episódio será dedicado ao tema “Empreendedorismo do futuro”, reunindo iniciativas que pensam sustentabilidade e desenvolvimento social coletivo. Amanda Dias, do projeto Grana Preta, falará sobre educação financeira para fortalecer comunidades. Augusto Leal, do Museu de Arte de Simões Filho (Masf), apresenta um museu a céu aberto criado para enfrentar a ausência de espaços culturais em sua cidade.
Já Bárbara Carine, fundadora da Escola Afro-Brasileira Maria Felipa, trará a própria visão sobre uma educação antirracista e plural. “Nossa escola valoriza culturas africanas, indígenas e europeias de forma equilibrada, formando crianças conscientes da própria ancestralidade e do respeito à diversidade”, afirma.
De acordo com o presidente da FGM, Fernando Guerreiro, o podcast é uma forma de documentar e difundir debates fundamentais. “É um material que fica como memória e referência para futuras discussões sobre arte, cultura e empreendedorismo na periferia. Estamos estudando formas de dar continuidade ao projeto”. (Lucas Vieira/Secom PMS)

No Comment! Be the first one.