A direita elevou sua presença nas eleições municipais de 2024. Apenas nas capitais, cinco candidatos de direita foram eleitos para a prefeitura e 13 passaram para o segundo turno, totalizando uma presença de 69,23%. (Foto ilustração)
Em comparação, a esquerda foi eleita em uma capital neste ano e está em apenas 4 segundos turnos. Além disso, 5 capitais elegeram o “centrão”, que também aparece em 6 segundos turnos, contando com centro-direita e centro-esquerda.
De acordo com o cientista político, Rafael Cortez, há duas possíveis explicações para este movimento de alta: as “regras do jogo” das eleições e a questão político-ideológica.
“O Brasil passou por algumas mudanças institucionais no plano do sistema eleitoral, que concentraram poder nos maiores partidos”, explicou.
“Proibição de coligação das eleições proporcionais, cláusula de barreira, e, sobretudo, a proibição da doação de pessoas jurídicas, o que conferiu um poder muito grande para o recurso público afetar o desempenho de partidos e candidatos”.
Cortez ressaltou que, essa distribuição de recursos, é distribuída proporcionalmente ao tamanho dos partidos. “De tal sorte que partidos que eram maiores, no início da regra, tem mais acesso a recursos e, portanto, são mais competitivos no futuro”, completou.
As questões político-ideológicas
Referente às questões político-ideológicas, o cientista político afirmou que, com a economia brasileira sendo fundamentalmente de serviços, o vínculo com a esquerda vem se quebrando.
De acordo com Cortez, a conexão da esquerda com os sindicados vai se perdendo, de alguma maneira, devido à transição com a economia de serviços, que é mais individualizada e dispersa.
Já no plano moral e cultural, o crescimento dos evangélicos e da produção de projetos políticos e de poder, fomentado pela liderança do campo religioso, também pode explicar o aumento da direita.
“Como esse eleitorado é grande, quantitativamente, e tem organizado projetos comuns em torno disso, isso também facilita e conecta mais os partidos de direita e centro-direita conservadores, do que em relação à esquerda”, explicou Cortez.
Além disso, o cientista político ressaltou que a tendência é da continuidade desse crescimento de concentração de forças dentro do campo da direita.
“Até porque também dentro da direita vai ter uma disputa para quem consegue canalizar esse eleitorado”, afirmou. “E a tendência é que permaneça, porque são fatores estruturais. A regra do jogo, distribuição de recursos permanecendo a mesma, vai seguir facilitando a vida de quem parte do que é grande”, completou Cortez. (Marcela Toniolo)

No Comment! Be the first one.