Oito anos depois de disputar uma eleição — em 2018, quando tentou a reeleição ao Senado pelo Distrito Federal —, Cristovam Buarque (foto ilustração) decidiu voltar às urnas. Aos 82 anos, o ex-governador do DF e ex-ministro da Educação conta que dedicou esse período integralmente à escrita. Em 2026, tenta uma vaga de deputado federal pelo PSB e integra a chapa de Ricardo Cappelli ao GDF. Ontem, em entrevista ao Podcast do Correio, com as jornalistas Denise Rothenburg e Ana Maria Campos, Cristovam falou sobre propostas para a educação brasileira e avaliou o cenário político atual.
Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1990, ele deixou a sigla em agosto de 2005, durante o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e em meio à crise do escândalo do mensalão. Na época, alegou divergências políticas. “Mudei de sigla, não de partido. Meu partido é por um Brasil que considera a educação como vetor do progresso. Sou um ‘educacionista’, seja quais forem as siglas”, explicou.
O ex-ministro da Educação alegou que deixou o PT quando percebeu que o partido havia perdido o “vigor transformador”. As mesmas palavras foram usadas por ele na época de desfiliação. “O PT passou a ser um partido muito generoso na assistência, mas não na transformação, quando mudou da bolsa escola para o bolsa família. A bolsa escola era um programa de transformação pela educação. Já o bolsa família não tira da pobreza”, criticou.
Professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB), Cristovam disputou a Presidência da República uma vez, em 2006, pelo Partido Democrático Trabalhista (PDT), e alimentava o desejo de tirar do papel as ideias e propostas para a educação. “Somos responsáveis por cada criança que nasce. O governo federal tem responsabilidade pela erradicação do analfabetismo de adultos e pela implantação de um sistema nacional, único e público de educação de base.”
Retorno
Cristovam contou que não planejava voltar à disputa eleitoral. Nos últimos oito anos, escreveu 10 livros e mantém outros trabalhos em andamento, mas a mudança de planos, de acordo com ele, veio após cobranças para o retorno à política e por uma percepção natural de que a direita vinha ocupando espaço na capital federal. “O pessoal falava que eu me omitia, mas agora ninguém pode dizer isso.” (correiobraziliense)


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