O candidato de extrema direita José Antonio Kast (foto ilustração) é o favorito para garantir uma vitória no segundo turno no próximo mês, apesar de estar ligeiramente atrás da candidata da coalizão governista, Jeannette Jara, na votação do primeiro turno presidencial do Chile neste domingo (16).
Com quase todas as urnas apuradas, Jara, a primeira integrante do Partido Comunista a chegar à final de uma disputa presidencial chilena, mantinha 27% dos votos, contra 24% de Kast, uma margem apertada que ressaltou profundas divisões políticas.
Uma eventual vitória de Kast colocaria no poder um governo mais à direita do que qualquer outro desde a ditadura de Pinochet.
O segundo turno, em 14 de dezembro, colocará esses dois polos ideológicos um contra o outro, à medida que muitos eleitores sinalizam estar priorizando crime e imigração em detrimento das reformas progressistas que marcaram a última eleição.
“A mudança virá”, disse Kast a seus apoiadores na noite de ontem, acrescentando que uma “vitória real” ocorreria quando as autoridades derrotassem o crime organizado, fechassem as fronteiras a migrantes indocumentados e consertassem um sistema de saúde sobrecarregado.
A guinada à direita no Chile refletiria derrotas recentes da esquerda pela América Latina e sinaliza um impulso crescente para candidatos de direita na Colômbia, Peru e Brasil, onde temores sobre segurança também despontam como questões centrais. Ela também pode oferecer ao governo Trump uma oportunidade de ampliar as alianças que tem construído com governos de direita na Argentina, Equador e El Salvador.
Em um sinal de revolta popular contra o status quo, Franco Parisi, do partido de centro-direita Partido da Gente, que propôs instalar minas terrestres em partes da fronteira norte para deter imigrantes, contrariou as pesquisas ao ficar em terceiro lugar. (Reuters)

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